Serenata nupcial
Noite alta, sombrosa e fria, e mesmo assim,
desponta, em meio às beladonas do jardim,
saudado pelos flexeis galhos ao açoite
do vento, o mesmo vulto, como da outra noite.
O amante a espera, silencioso, no relvado,
a quem se entrega, sem palavras nem sorriso,
naturalmente nus, como no Paraíso,
Adão e Eva foram, antes do pecado.
Assim termina, sem calor nem despedida,
a estranha cena, pois no início e na partida
não há suspiros, nem meiguices, nem querelas.
prateado, alvo rastro, refletindo estrelas,
serena, lenta e triste a incompreendida lesma.
* * * Carlos Alberto Ramina e Silva tem como autores preferidos Oscar Wilde, Hemingway e Allan Poe. Admira Krishnamurti, e uma das frases desse pensador é das suas preferidas: “Nós, os relativos, não podemos definir o absoluto, que é Deus. Não podemos dizer sequer que Deus é bom ou é mau, mas, simplesmente, que Deus é.

